terça-feira, 14 de abril de 2026

Em tuas mãos, uma oração de Robert Kennedy

 


Em tuas mãos 


Em Tuas mãos, ó Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila,

como o barro na mão do oleiro.


Dá-lhe forma e depois, se quiseres, esmigalha-a,

como se esmigalhou a vida de John, meu irmão.


Pede, ordena!

Que queres que eu faça?


Elogiado e humilhado, perseguido e incompreendido,
caluniado e consolado, sofredor e inútil para tudo,
não me resta senão dizer a exemplo de Tua mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”.


Dá-me o amor por excelência, o amor da Cruz;
não o da cruz heroica que poderia nutrir o amor-próprio,
mas o da cruz vulgar, que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia na contradição,
no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente, na aridez e no silêncio do coração.


Então, somente Tu saberás que te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas isto basta.


domingo, 12 de abril de 2026

200 citações sobre a velhice e o envelhecimento saudável

 


A velhice é uma das fases mais singulares da experiência humana. Nela, o tempo deixa de ser apenas medida e passa a ser memória; os dias já não se acumulam, mas se aprofundam. Envelhecer é carregar no olhar a soma das alegrias, das perdas, das escolhas e das esperanças que moldaram uma vida inteira. É quando a existência, mais do que corrida, torna-se testemunho.

Vivemos, hoje, um momento inédito da história: a população mundial envelhece como nunca antes. Avanços na medicina, na ciência e nas condições de vida ampliaram a longevidade, fazendo com que o número de pessoas idosas cresça em todas as culturas e continentes. Esse fenômeno não é apenas estatístico; ele redefine famílias, sociedades, valores e a própria compreensão do tempo humano.

Esta antologia nasce do reconhecimento de que a velhice não é um apêndice da vida, mas uma de suas expressões mais densas e reveladoras. Nas frases aqui reunidas, ecoam a sabedoria adquirida, a esperança consolidada, a ironia serena, a lucidez tardia e, por vezes, a delicada melancolia de quem já percorreu longos caminhos. São palavras que não falam apenas sobre envelhecer, mas sobre viver — com mais consciência, profundidade e verdade.

Ao fim deste volume, apresentamos uma mensagem especial, que celebra a esperança e o verdadeiro sentido da vida. Que este livro sirva como homenagem à idade madura, convite ao respeito e à escuta, e lembrança de que, em cada ruga, há uma história; em cada silêncio, um significado; e em cada velhice, um valor que não pode ser perdido.

 

Baixe o seu exemplar gratuitamente pelo Google Drive, clicando AQUI.

 

Também disponível na Playstore do Google, AQUI.

Também disponível na Amazon (gratuito para assinantes Kindle Unlimited), AQUI.


terça-feira, 31 de março de 2026

Nosso Português de Cada Dia - E-book de Célio Simões

 


O e-book "Nosso Português de Cada Dia" é uma obra essencial do advogado, escritor e memorialista paraense Célio Simões, que se dedica a registrar a alma da língua falada no Brasil. Composto por uma coletânea de expressões idiomáticas, o livro explora o "falar comum" que, embora muitas vezes se distancie das regras gramaticais rígidas, constitui a verdadeira identidade cultural do povo.

 
As crônicas que deram origem ao e-book possuem um histórico de publicação digital marcante na Terça da Cultura Popular: Sob este título, Célio Simões publica semanalmente artigos em diversos portais do Pará, como o Obidos.Net e o Amazon Pauxis, e no Paraná, no blog Singrando Horizontes.
 
Conhecer a origem permite entender por que certas frases, como "pé de meia" ou "com as mãos abanando", possuem significados figurados que transcendem a literalidade das palavras.

Célio Simões, membro de instituições como a Academia Paraense de Letras, transforma o cotidiano linguístico em um objeto de estudo rico e acessível, reafirmando que o português brasileiro é um organismo vivo e histórico.

Para baixar o e-book pelo Google drive, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Ascensão, poema de Marcos Barbosa

 


Ascensão

 

Por que fitais O céu, galileus!

O vosso Mestre acaba de ocultar-se

Para pordes enfim a mão no arado,

Começando as Searas no Evangelho...

 

Chegou vosso momento e a vossa hora.

Por que ficais olhando para o céu?

Sois pastores, buscai os vossos campos;

Lançai as vossas redes, pescadores!

 

Por que olhais para os céus, ó galileus?

Deixai ao sábio que herda o vosso nome

As minúcias dos astros e dos mundos.

 

Pois outro é vosso espaço e vosso tempo,

Outros o Norte, o Sul e os mil roteiros

Que vos sugere a Cruz, rosa-dos-ventos.

Marcos Barbosa


No livro Poemas do Amor Maior, de Jefferson Magno Costa


quinta-feira, 5 de março de 2026

O Trabalho de Jesus, poema de Tasso da Silveira

 




O Trabalho de Jesus


Tu, Senhor, atravessaste

trinta anos de vida oculta

na humilde oficina

de Nazaré.

E não quiseste fazer mais do que fizeram

fazem e farão,

todos os marceneiros humílimos

desde o começo do mundo.

Não inventaste um só instrumento novo.

Não imprimiste, no torno,

à madeira que trabalhavas,

uma só curva desusada.

Tu, o Criador de todas as formas

da prodigiosa máquina dos mundos,

de Beleza total,

Atravessaste, Senhor, trinta anos

de vida oculta,

como que trabalhando apenas

a tua simplíssima cruz.


Do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan


domingo, 1 de março de 2026

Saiu o terceiro número de De Higgs - Revista de ficção científica e fantasia cristã - Baixe grátis

 


De Higgs, revista de literatura cristã focada em ficção científica e fantasia, chega a seu terceiro número, sedimentando-se como um veículo de grande valor para a expressão literária cristã nacional.

A revista circula em formato eletrônico e é gratuita. Você pode realizar o download de seu exemplar diretamente no site da revista, neste link: 

https://revista-de-higgs.webnode.page/edicao03/


Confira o editorial desta edição:

Há edições que nascem como projetos; outras, como encontros. Esta terceira edição da Revista de Higgs pertence, sem dúvida, à segunda categoria. Ela é fruto de um encontro vivo entre vozes, imaginários, memórias e anseios vindos de muitos cantos do país — autores distintos entre si, mas unidos por uma mesma pulsação criativa.

Recebemos contos que atravessam a fantasia, a ficção científica e a ficção histórica, muitas vezes dissolvendo fronteiras e criando zonas híbridas onde o extraordinário se torna espelho do humano. São narrativas que não apenas contam histórias, mas interrogam o tempo, o sagrado, a perda, a esperança e o sentido. O resultado é um mosaico literário rico, vibrante, quase litúrgico em sua diversidade — um verdadeiro espectro caleidoscópico de formas, estilos e inquietações.

O tema Relíquias e locais sagrados revelou-se um convite fértil. Alguns autores olharam para ruínas e objetos antigos; outros, para lugares interiores, silenciosos, muitas vezes esquecidos. Em todos os casos, percebemos uma busca comum: a tentativa de tocar aquilo que permanece quando tudo o mais parece ruir. Essa busca, expressa em linguagem, é talvez uma das vocações mais antigas da literatura.

Aproveitamos esta abertura para parabenizar Ísis Marques, vencedora do concurso da segunda edição da Revista de Higgs, cuja obra O Caminho de Ábba permanece como referência de sensibilidade narrativa, maturidade simbólica e profundidade temática, abrindo caminhos para as vozes que agora se somam a esta nova edição.

Esta terceira edição também é marcada por um gesto de generosidade que desejamos registrar com gratidão profunda. O prestigiado Luiz Sayão — pastor, teólogo, hebraísta e linguista, amplamente reconhecido no meio protestante brasileiro por seu trabalho na tradução das Escrituras e por seus comentários bíblicos — concedeu-nos uma entrevista de valor inestimável, mesmo atravessando um período de saúde delicada. Sua disposição em partilhar pensamento, experiência e reflexão, em meio à fragilidade, confere às suas palavras um peso ainda maior. Recebemos essa entrevista como quem recebe um legado confiado com cuidado.

Para enriquecer ainda mais, com satisfação e alegria recebemos a meditação: Quando o divino nos encontra em meio à ficção. Ensaio confeccionado pelo pastor e comunicador André Castilho de Oliveira. Uma contribuição ao pensamento na intersecção entre fé, arte e cultura.

Somam-se a esse conjunto duas resenhas dedicadas ao livro O Silêncio de Adão, ampliando o diálogo crítico que a Revista de Higgs se propõe a cultivar: um espaço onde literatura, pensamento e espiritualidade possam conversar sem pressa, sem rótulos fáceis, mas com profundidade e honestidade intelectual.

Que esta edição seja lida não apenas como entretenimento ou exercício estético, mas como um convite. Um convite a escutar o que se diz nas entrelinhas, a perceber a palavra como semente, como sopro, como força que chama à Vida. Que os textos aqui reunidos façam mais do que despertar bons sonhos ou aventuras memoráveis: que aqueçam o coração, ampliem o olhar e nos tornem mais atentos à Voz que insiste em escrever histórias de esperança, reconciliação e amor duradouro.

Ótima leitura!

Os Editores

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Castelos de Areia, ou uma reflexão sobre a brevidade da vida - Max Lucado

 


CASTELOS DE AREIA

 

Sol a pino. Maresia. Ondas ritmadas. Na praia está um menino.

Ajoelhado, ele cava a areia com uma pá de plástico e a joga dentro de um balde vermelho. Em seguida, vira o balde sobre a superfície e o levanta.

Encantado, o pequeno arquiteto vê surgir diante de si um castelo de areia.

Ele continuará a trabalhar a tarde inteira, cavando os fossos e modelando as paredes. As rolhas de garrafa serão as sentinelas. Os palitos de sorvete serão as pontes. E um castelo de areia será construído.

Cidade grande. Ruas movimentadas. Ronco dos motores dos automóveis.

Um homem está no escritório. Ele organiza os papéis e distribui tarefas. Faz alguns telefonemas e, como que num passe de mágica, contratos são assinados. E, para grande felicidade do homem, foram fechados grandes negócios.

Ele trabalhará a vida inteira, formulando planos, prevendo o futuro. As rendas anuais serão as sentinelas. Os ganhos de capital serão as pontes. Um império será construído.

Dois construtores de dois castelos. Ambos têm muita coisa em comum: fazem grandezas com pequeninos grãos... Constroem algo do nada. São dinâmicos e determinados. E, para ambos a maré subirá, e tudo acabará...

Mas é aqui que as semelhanças terminam, porque o menino vê o fim, ao passo que o homem o ignora.

 Observe o menino na hora do crepúsculo.

Quando as ondas se aproximam, o menino sábio pula e bate palmas.

Não há tristeza, nem medo, nem arrependimento. Ele sabia que isso aconteceria. Não se surpreende.

E, quando a enorme onda bate em seu castelo e sua obra-prima é arrastada para o mar, ele sorri. Sorri, recolhe a pá, o balde, segura a mão do pai e vai para casa.

O adulto, contudo, não é tão sábio assim. Quando a onda dos anos desmorona seu castelo, ele se atemoriza. Cerca seu monumento de areia, a fim de protegê-lo. Tenta impedir que as ondas alcancem as paredes.

Encharcado de água salgada e tremendo de frio, ele resmunga para a próxima onda, em tom de afronta: “É o meu castelo”!

O mar não precisa responder. Ambos sabem a quem a areia pertence...

Talvez você não saiba muito sobre castelos de areia, mas as crianças sabem. Observe-as e aprenda. Vá em frente e construa, mas construa com o coração de uma criança. Quando chegar a hora do pôr-do-sol e a maré levar tudo embora, aplauda. Aplauda o processo da vida, segure a mão do Pai e vá para casa.

 

Max Lucado, no livro Histórias para aquecer o coração 2, organizado por Alice Gray.


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